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Cães de alerta médico revolucionam tratamento da esquizofrenia

Por Jornal de Barcelos · · 2 min de leitura
Cães de alerta médico revolucionam tratamento da esquizofrenia
Cães de alerta médico revolucionam tratamento da esquizofrenia

O uso de cães de alerta médico tem se expandido para novas áreas da saúde. Antes associados ao apoio a pessoas com deficiência física, autismo ou diabetes, esses animais agora começam a ser usados na psiquiatria. Eles auxiliam no acompanhamento de transtornos graves, como a esquizofrenia, uma condição neurológica e psiquiátrica crônica que altera a percepção da realidade e o comportamento.

O especialista em cães de alerta médico e assistência, Glauco Lima, se destaca nessa área. Ele introduziu metodologias para mitigar crises comportamentais e oferecer suporte emocional a pacientes em tratamento contínuo.

Na gestão residencial de pacientes com o transtorno, a detecção precoce de instabilidades é o principal fator para manter o bem-estar. A administradora residencial Paula de Souza acompanha o dia a dia de uma tutora com mais de 50 anos diagnosticada com a condição. Ela explica que um dos maiores desafios é reconhecer os primeiros sinais de uma crise, como alterações sutis de humor e inquietação, que exigem intervenções rápidas das equipes de apoio.

Para ajudar nessa percepção, foi introduzida na rotina da paciente a cadela Luna, uma Goldendoodle nascida nos Estados Unidos. Desde 2024, ela passa por formação intensiva para atuar como cão de serviço psiquiátrico. O treinador Glauco Lima detalha que o treinamento envolve socialização, estabilidade emocional e a capacidade de identificar padrões comportamentais que indicam ansiedade ou agitação. O animal é condicionado a emitir sinais claros para a tutora e a equipe ao detectar desvios da normalidade.

Um diferencial do trabalho é que a capacitação vai além da relação entre o cão e a paciente. Paula de Souza afirma que Glauco Lima também treina todos os profissionais que convivem com a paciente, como cuidadoras, cozinheira, motoristas e equipe de limpeza. O objetivo é alinhar as respostas operacionais e manter a consistência metodológica exigida pelo animal.

A presença da Luna trouxe mais tranquilidade para a rotina da residência. Paula de Souza ressalta que a cadela não substitui os profissionais de saúde nem os cuidadores, mas soma ao atuar como uma camada de acolhimento e monitoramento dentro do protocolo terapêutico prescrito pelos médicos.

O especialista Glauco Lima também trabalha com cães treinados para alertas metabólicos, como a identificação de oscilações glicêmicas em pacientes diabéticos pelo olfato. Ele ressalta que muitas pessoas ainda associam cães de assistência apenas a deficiências físicas ou visuais, mas hoje existem trabalhos voltados para diversas condições médicas e psiquiátricas. Cada plano de treinamento é customizado para atender às necessidades de cada indivíduo e respeitar o bem-estar do animal.

Paula de Souza conclui que o trabalho técnico, desenvolvido com responsabilidade, ciência e respeito ao bem-estar animal, pode contribuir para oferecer mais qualidade de vida a uma pessoa com esquizofrenia. Ela reforça que os cães de serviço representam um recurso de enorme valor para o cuidado integrado.

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