13/03/2026
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CEO do Magalu foca em margens e IA

O Magalu registrou um lucro líquido ajustado de R$ 124 milhões no último trimestre. O valor representa uma queda de 10,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que era de R$ 55,7 milhões, segundo o consenso da Bloomberg. A performance foi ajudada por créditos tributários.

O presidente executivo da companhia, Fred Trajano, afirmou que o resultado veio de uma escolha deliberada da empresa. O foco tem sido em segmentos e canais que oferecem maior rentabilidade.

Uma das principais consequências dessa estratégia foi observada no marketplace. As vendas do canal de terceiros, o 3P, caíram 11,7% no trimestre. Essa redução foi impulsionada principalmente pela diminuição nas vendas de produtos com menor valor agregado. Por outro lado, o desempenho das lojas físicas, medido pelo same-store sales, cresceu 8,4%.

“Crescemos onde a gente acreditava que tinha mais contribuição positiva – e onde tinha mais contribuição positiva no ano passado era em loja física”, declarou Trajano.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, com um avanço de 3,4% em um ano. O número ficou em linha com as projeções do mercado. O EBITDA ajustado subiu 2,5% no período, atingindo R$ 867 milhões. A expectativa era de R$ 833 milhões.

Fred Trajano, que completou dez anos como CEO, disse que a empresa está iniciando um novo ciclo estratégico. Este novo momento tem foco principal em inteligência artificial (AI). A mudança ocorre após a conclusão da construção do ecossistema da companhia nos últimos cinco anos.

O objetivo atual é extrair valor dos ativos criados nesse período. Entre eles estão o MagaluPay, o Magalog, a Magalu Cloud, a KaBuM!, a Netshoes e a Época Cosméticos. A meta é ampliar a rentabilidade e a integração entre essas operações.

Para o executivo, a vantagem competitiva do Magalu está na capacidade de integrar lojas físicas, comércio eletrônico e serviços em uma única infraestrutura. A ideia é estender essa lógica para outras empresas do grupo. Um exemplo é dar mais espaço nas lojas físicas para produtos da KaBuM! e da Época.

A companhia também planeja voltar a abrir lojas, especialmente no formato da Galeria Magalu. Esse conceito reúne as diferentes verticais da empresa em um mesmo espaço. O Magalu encerrou o ano com 1.246 lojas.

No entanto, a maior oportunidade, segundo Fred, está na agentic AI. Ele acredita que a jornada de compra online deve migrar de um modelo baseado em busca para uma experiência conversacional, impulsionada por agentes de IA.

Por isso, a empresa deve ampliar ainda mais seu AI commerce. Trajano citou que 58% das pessoas já utilizam IA no Brasil. Dentre essas, 60% se mostram abertas a usar assistentes virtuais para fazer compras.

O WhatsApp da Lu, avatar virtual da empresa, tem apresentado uma taxa de conversão três vezes maior que a das outras verticais. Seu NPS é de 83 pontos. De acordo com Fred, 3 milhões de pessoas já utilizaram a plataforma.

“Sem dúvida a evolução mais significativa que eu vi nesses 25 anos de ecommerce é a que estamos vivendo agora”, afirmou o CEO.

O novo ciclo do Magalu também envolve reposicionar seu comércio eletrônico. A prioridade será produtos de marca e um nível de serviço mais elevado. Fred descreve esse modelo como um “brand place”, com maior curadoria de vendedores e foco em categorias onde a empresa tem diferenciação.

A estratégia, segundo ele, é equilibrar crescimento e rentabilidade. O investimento será concentrado em áreas com maior contribuição positiva, explorando oportunidades abertas pela evolução tecnológica e pela estrutura multicanal. Em outras palavras, a companhia está abrindo mão de participação de mercado para vender produtos com maior rentabilidade.

“A curadoria se dá no sentido de focar menos produtos unbranded, white labels, e mais produtos de marca, onde temos um grande diferencial”, explicou.

O CEO também demonstrou otimismo com o crescimento da Luizacred. Essa operação é um dos pilares da diversificação da receita do Magalu, com o objetivo de reduzir a dependência do varejo. No ano passado, a Luizacred lucrou R$ 525 milhões, com um ROE de 25%. O negócio é uma joint venture 50/50 com o Itaú Unibanco.

A maioria dos clientes segue adimplente. O índice NPL 15, que mede a inadimplência entre 15 e 90 dias, foi de 2,4% da carteira total em dezembro. Esse número representa uma melhora de 0,3 ponto percentual. Já o NPL 90, que contabiliza atrasos acima de 90 dias, ficou em 7,5% no fim do ano, uma melhora de 0,6 p.p.

“Estamos apostando que esse negócio vai continuar crescendo, principalmente aumentando a penetração no online, porque a penetração é alta em loja e no online é baixa”, disse Trajano.

Fred acredita que o Magalu ainda enfrentará um mercado mais turbulento no primeiro semestre. No entanto, eventos como a Copa do Mundo podem trazer surpresas positivas, aumentando a venda de produtos com maior rentabilidade, como televisores. O CEO se mostra mais otimista para o segundo semestre, especialmente com a esperada queda na taxa de juros.

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