Cofundador da Fatal admite que patrocínio ao Corinthians visa naturalizar conteúdo adulto

O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o objetivo do patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians é naturalizar a presença de uma plataforma de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros. A empresa passou a estampar sua marca no uniforme do clube paulista.
“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse Ongaratto em entrevista. “É por isso que a gente fez esse investimento no Corinthians. Porque, se fizermos um cálculo do retorno deste investimento, não há conta que o justifique.”
A Fatal Fans é um site de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos produzidos por mulheres, homens e casais, em modelo semelhante ao do OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. Segundo a Atlas Technologies, a plataforma reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.
O contrato de R$ 22 milhões entre o Corinthians e a Fatal Fans, válido até 2027, foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida oscila entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O acordo deu fôlego ao caixa corintiano, mas também gerou polêmica sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.
Representações foram encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo com base em artigos do ECA. Também foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos, de autoria da deputada estadual Maria Helou (PSOL) e das deputadas federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).
Ongaratto afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos, mas que o recurso estava em funcionamento apenas em Maceió. Ele disse que a empresa suspendeu temporariamente o sistema após alertar a ANPD sobre um “desequilíbrio concorrencial”.
O Corinthians informou, por meio de nota, que se certificou de que a Fatal Fans operava em conformidade com o ECA Digital e que seu conteúdo só poderia ser acessado mediante assinatura feita por maiores de idade sob verificação do CPF. O clube afirmou ainda que não haverá publicidade “com conotação de objetificação ou erotização”.
Ongaratto defendeu que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo e criadores de conteúdo adulto. “Esse mercado historicamente foi colocado debaixo do tapete, tanto que muita gente ainda acha que ser acompanhante é crime, quando não é”, disse. Ele também afirmou que respeitaria a decisão de uma de suas filhas se elas escolhessem ser acompanhantes ou produtoras de conteúdo adulto.


