Polícia reprime protesto contra resort ligado a Trump na Albânia

A polícia albanesa usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que tentavam se aproximar do Parlamento em Tirana nesta quinta-feira (23). O grupo protestava contra um projeto turístico ligado à família Trump e pedia a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
Desde o dia 31 de maio, as mobilizações acontecem todas as noites em frente ao gabinete do chefe de Governo e ao Legislativo. A polícia agiu depois que os manifestantes tentaram romper o cordão de segurança e jogaram ovos e pedras, segundo jornalistas da AFP.
Os protestos também foram motivados por um financiamento de 4 milhões de euros (cerca de 22 milhões de reais) para o show do rapper americano Kanye West, marcado para o dia 4 de julho em Tirana. West já fez comentários antissemitas e tem músicas que elogiam Adolf Hitler.
De acordo com versões não confirmadas, o Parlamento deveria votar esse subsídio, solicitado pelo governo para evitar o cancelamento do evento. O primeiro-ministro disse que a medida era para "evitar colocar a Albânia em uma situação embaraçosa".
A concessão desses recursos para o show, em meio ao movimento de protesto, foi considerada uma provocação. As mobilizações começaram depois da divulgação do projeto de um resort de luxo ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma área natural protegida e em uma ilha desabitada.
Contexto dos protestos na Albânia
Os manifestantes também criticam a gestão do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de favorecer interesses estrangeiros em detrimento do meio ambiente e da população local. O projeto do resort, que teria ligações com a família Trump, gerou indignação por ser planejado em uma região de preservação ambiental.
A situação na Albânia reflete um descontentamento crescente com decisões do governo que priorizam investimentos turísticos em áreas sensíveis. O show de Kanye West, financiado com dinheiro público, agravou a crise política no país.


