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2º semestre traz riscos e incertezas ao comércio exterior, diz FGV

Por Jornal de Barcelos · · 4 min de leitura
2º semestre traz riscos e incertezas ao comércio exterior, diz FGV
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O primeiro semestre de 2026 termina com resultados mais favoráveis para o comércio exterior do que o esperado no início do ano. No entanto, o segundo semestre deve ser marcado por elevada incerteza, com riscos crescentes para os preços, as cadeias de suprimento e o comércio exterior brasileiro. A análise faz parte do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quarta-feira, 15, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo a FGV, o Relatório Focus do Banco Central de 2 de janeiro indicava que a balança comercial de 2026 ficaria em US$ 66 bilhões. Já no relatório de 13 de julho, o superávit passou para US$ 76,2 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior também revisou suas projeções, de um superávit de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.

No primeiro trimestre, o aumento do preço e do volume exportado, acima das importações, contribuiu para a melhora do saldo, reforçado pelos resultados de junho. Na comparação interanual do mês, essa diferença nos preços levou os termos de troca a registrar uma variação positiva de 5,1%.

A FGV afirmou que os aumentos de preços refletem, em grande medida, os efeitos do conflito no Irã, que afetou canais de suprimento e elevou os custos de logística. O fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de suprimento global aceleraram os preços do comércio internacional. No Brasil, a aceleração foi mais forte nas exportações.

Além das tensões geopolíticas, há preocupação com o resultado da Investigação da Seção 301, que também deve ser divulgado nesta quarta-feira.

A balança comercial fechou o primeiro semestre com superávit de US$ 42,4 bilhões, valor US$ 12,2 bilhões acima do mesmo período de 2025. Exceto em março, o saldo mensal superou os resultados do ano anterior. Em junho de 2026, o saldo foi de US$ 9,8 bilhões, US$ 3,9 bilhões a mais que em junho de 2025.

As principais contribuições para o aumento do superávit no semestre vieram do comércio com a China, com aumento de US$ 7,6 bilhões, e com a União Europeia, com alta de US$ 3,1 bilhões. O restante do mundo contribuiu com US$ 4 bilhões. Nos Estados Unidos, o déficit passou de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão. Já na Argentina, o superávit caiu US$ 2,1 bilhões entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

O valor exportado no primeiro trimestre avançou 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume cresceu 4,2% e os preços, 6,6%. Na comparação entre junho de 2026 e junho de 2025, o valor exportado subiu 24,9%, o volume avançou 8,3% e os preços tiveram ganho de 15,4%.

O valor das importações oscilou 5,1% de janeiro a junho deste ano ante o mesmo intervalo de 2025. O volume cresceu 0,3% e os preços, 4,6%. Em junho, o valor das importações subiu 15,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, com volume 4,2% maior e preços 9,8% mais altos.

Na indústria de transformação, dos 24 setores, 9 tiveram redução no valor exportado para os EUA. Setores de maior valor agregado, como equipamentos eletroeletrônicos e máquinas elétricas, aumentaram suas exportações totais e para os EUA. O comércio intraindústria e intrafirma de multinacionais americanas no Brasil seria uma explicação.

Por grandes setores de atividade, todos perderam exportações para os EUA. Com exceção da pesca, todos aumentaram as vendas para a China, para o resto do mundo e no total.

O aumento em volume das exportações no semestre foi liderado pelas commodities, com alta de 5,1%. Os preços das exportações de não commodities superaram os das commodities. Em junho, a mesma tendência de volume se manteve, mas os preços das commodities superaram os das não commodities.

A FGV destacou a variação nos preços e volume das importações de commodities. No acumulado até junho, os preços subiram 18,9% e o volume recuou 6,6%. Na comparação interanual de junho, os preços avançaram 41,8% e o volume caiu 26,5%. Para as não commodities, os preços subiram 7,3% e o volume, 7,4% em junho.

Como as importações de commodities representam cerca de 10% do total, o efeito sobre o preço total importado é menor que o impacto do aumento dos preços das commodities nos preços totais exportados.

Em junho, as importações de adubos ou fertilizantes caíram 20,1% em quantum, enquanto os preços subiram 26,1%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. O quantum do óleo combustível caiu 29,7% e os preços subiram 54,5%. Adubos e óleos combustíveis foram o segundo e o terceiro principais produtos importados.

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