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8 em cada 10 empresas não acham trabalhadores

Por Jornal de Barcelos · · 3 min de leitura

Com 385 posições em modelo híbrido ou remoto, a Solo Network não consegue manter o quadro completo. A empresa paranaense, especializada em cibersegurança e inteligência artificial, busca profissionais para 21 vagas, de arquiteto de soluções e engenheiro de dados a gerente de contas e analista financeiro, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. As contratações para a área de cibersegurança levam 45 dias, mas as vagas comerciais demoram ainda mais: de dois a três meses.

Com a taxa de desemprego em mínimas históricas, sobram vagas no país. Oito em cada dez empregadores no Brasil têm dificuldade para encontrar profissionais, quadro que se repete há cinco anos, segundo pesquisa da consultoria ManpowerGroup com 1.020 empresas. O desafio é maior para quem precisa de profissionais de nível superior. A consultoria Robert Half calcula que a taxa de desocupação nesse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase a metade da geral, de 6,1%.

Líderes empresariais tratam o problema como crônico, que cobra um custo operacional e limita o crescimento dos negócios, do varejo aos serviços. "Os qualificados já estão empregados. Estamos em amplo crescimento, então isso afeta nossa operação", diz Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo. As vagas ociosas tendem a aumentar, apontam especialistas, que citam mudanças estruturais no mercado de trabalho, como demografia, baixos salários e novas aspirações dos trabalhadores, como jornada flexível.

O Brasil é o quarto entre 42 países com maior intenção de contratação nas empresas entre julho e setembro, segundo outra sondagem da ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados, 52% ampliarão equipes. O problema é maior nos grandes centros e setores como comércio, tecnologia, saúde e infraestrutura. Na plataforma de vagas Gupy, o varejo concentrou o maior volume de vagas abertas no primeiro semestre, com destaque para supermercados.

A rede mineira Verdemar, com 17 lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem 500 vagas abertas em um total de 5,5 mil, quase 10%. Faltam operadores de caixa, atendentes de padaria, estoquistas e repositor. "Estamos com dificuldade tremenda de preencher. Não tem gente para trabalhar em BH", diz Alexandre Poni, sócio e diretor comercial da rede. Ele afirma que salários na média do mercado e benefícios como plano de saúde não são suficientes.

Enquanto o Senado avalia a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, a Verdemar implementou em oito lojas um acordo com o sindicato para proporcionar mais descansos. O esquema requer entre 15% e 20% mais empregados por loja. "Torcemos para que o fim da escala 6x1 tenha um prazo para nos adaptarmos", diz Poni, que classifica a medida como "altamente inflacionária".

A Livraria Leitura, com 136 lojas, tem dificuldade para recrutar em cargos de entrada, como atendente. A saída tem sido flexibilizar os perfis, contratando pessoas mais velhas. André Teles, um dos sócios, cita que o número de candidatos por vaga caiu pela metade. A mineira AeC, de atendimento ao cliente, começou em 2012 a expandir sua operação para o Nordeste, onde a desocupação é maior. Hoje, a empresa tem 56 mil funcionários, sendo mais de 45 mil na região.

Nos setores que demandam mão de obra especializada, há o agravante de deficiências na formação técnica e superior. Petroleiras e fornecedores têm dificuldades para ocupar funções de nível técnico, como soldagem e química, e superior, como engenheiros. Segundo a Abespetro, um levantamento com 35 empresas identificou 40 mil vagas abertas em 2024. Em toda a cadeia do petróleo, a entidade estima 64 mil vagas. Profissionais mais velhos vêm se aposentando num momento de expansão acelerada de projetos offshore, acima da capacidade de reposição.

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