31/05/2026
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Brasil goleia, mas deixa alerta: Seleção precisa aprender a sofrer

Brasil goleia, mas deixa alerta: Seleção precisa aprender a sofrer

A Seleção Brasileira se despediu da torcida antes do embarque para a Copa do Mundo com uma goleada de 6 a 2, casa cheia no Maracanã. O placar foi confortável, mas o caminho até lá mostrou que a caminhada no Mundial pode ser mais complicada do que muitos imaginam.

Diante de mais de 60 mil torcedores, o Brasil enfrentou o Panamá, 33º colocado no ranking da Fifa e uma das seleções classificadas para a Copa. O time panamenho, que estará no grupo da Inglaterra no Mundial, deu trabalho enquanto teve força física e a equipe praticamente completa.

A impressão é que Carlo Ancelotti colocou em campo a base que imagina para a estreia contra o Marrocos daqui a duas semanas. As exceções devem ser na defesa: Bremer e Léo Pereira tendem a perder espaço para Marquinhos e Gabriel Magalhães, que disputaram a final da Champions League e ainda não se apresentaram. Para Ancelotti, o time da Copa já está praticamente desenhado.

O Brasil começou estranho, sem grande inspiração, especialmente no meio-campo. Faltou criatividade, velocidade na troca de passes e, em alguns momentos, faltou aquela sensação de domínio que se espera de uma seleção candidata ao título. Quem tirou o time do sufoco foi Vinícius Júnior. O atacante marcou o primeiro gol e deu a assistência para Casemiro ampliar. Foi o jogador capaz de quebrar a previsibilidade brasileira.

Neymar, ainda sem condições físicas, ficou no banco sem sequer estar uniformizado para jogar. A grande dúvida é saber quando — e em que condição — poderá ser utilizado durante o Mundial.

No intervalo, Ancelotti fez uma experiência radical: mudou praticamente o time inteiro, aproveitando as dez substituições permitidas no amistoso. O Brasil cresceu. Os reservas colocaram o Panamá no bolso, aumentaram o ritmo, transformaram a vitória em goleada e alguns nomes mostraram que podem ser úteis durante a competição. Mas isso dificilmente vai mudar a cabeça do treinador. Ancelotti tem convicções e dificilmente vai abandonar agora o grupo que imagina como titular.

A despedida deixou duas certezas. A primeira é positiva: a torcida quer abraçar a Seleção. O Maracanã lotado derruba a tese de que o brasileiro perdeu o interesse pelo time nacional. A segunda é mais preocupante: faltando duas semanas para a estreia, o Brasil ainda não parece pronto. Talvez esta seja a Copa em que a Seleção precise aprender a sofrer.

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