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Ceuta e ultradireita: UE busca equilíbrio em crise migratória

Por Jornal de Barcelos · · 3 min de leitura
Ceuta e ultradireita: UE busca equilíbrio em crise migratória
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou como "inaceitável" a situação em Ceuta, que foi tomada por dezenas de milhares de imigrantes na semana passada. Ela defendeu mais colaboração com a Espanha e mais recursos para o Marrocos.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (3), depois de um fim de semana de atritos públicos entre integrantes do bloco. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu mais solidariedade aos colegas e destacou que a Espanha recebeu, nos últimos cinco anos, menos da metade dos imigrantes que a Itália: 234.760 contra 478.600.

Sánchez tentava conter uma onda de desinformação e uma ofensiva política liderada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O governo italiano propôs a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, acordo de livre circulação no continente, e depois impôs restrições unilaterais entre os países.

A ação de Meloni resultou em uma carta assinada por 22 dos 27 líderes da União Europeia, pedindo uma reunião de emergência e uma resposta mais dura e coordenada para a crise. O texto trazia uma crítica indireta à política migratória espanhola, que supostamente estaria incentivando a entrada de imigrantes irregulares no bloco.

Para tentar amenizar os atritos, foi marcado um encontro entre ministros do Interior para esta terça-feira (4), precedido por uma reunião de embaixadores na véspera, uma prática comum do bloco para alinhar pontos de convergência.

Apesar da tentativa de Von der Leyen de guiar o diálogo, a expectativa para a reunião não é positiva. Analistas afirmam que Meloni deve pressionar pela liberação rápida de centros de detenção terceirizados, como o que construiu na Albânia, que foi proibido pela Justiça italiana e depois pela europeia. Um pacote recém-aprovado sobre imigração já prevê esse tipo de instalação.

No entanto, a posição de Meloni não se explica apenas por isso. A primeira-ministra recebeu apoio espanhol durante a crise em Lampedusa, em 2023, quando mais de 10 mil imigrantes chegaram à ilha italiana, que é território Schengen, diferente de Ceuta e Melilla.

O programa de regularização de imigrantes na Espanha também não fortalece o argumento de Meloni. O projeto recebeu mais de um milhão de inscrições, mas atende principalmente latino-americanos e exclui quem entrou ilegalmente no país.

Na imprensa europeia, a análise é de que Meloni se prepara para as eleições parlamentares de 2027 em um momento de popularidade em queda. Além das derrotas legislativas recentes, ela enfrenta o crescimento de um adversário, o militar Roberto Vannacci, com discurso mais radical à direita.

Vannacci defende deportação em massa, algo que Meloni não pode prometer ou executar no cargo. Atacar Sánchez surge como uma alternativa política viável, que ainda incomoda a esquerda italiana, que vê o premiê espanhol como referência.

A crise também atraiu outros líderes, como a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que, apesar da origem de centro-esquerda, adota uma das políticas anti-imigração mais duras da Europa.

Nas redes sociais, críticas a Sánchez vieram de Donald Trump, do vice americano J. D. Vance, do presidente argentino Javier Milei e do ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, questionou por que a Espanha ainda mantém "colônias na África". Historiadores afirmam que o conceito não se aplica a Ceuta e Melilla, que existem desde o fim do século 15.

Em Londres, o líder da ultradireita britânica, Nigel Farage, prometeu, se eleito, a "maior operação no Canal da Mancha desde a Segunda Guerra" para conter a chegada de imigrantes ilegais. O Reform UK, partido de Farage, aparece pela primeira vez em meses atrás nas pesquisas, pressionado por escândalos no Reino Unido. O Partido Trabalhista, de Andy Burnham, voltou à liderança.

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