Moradores do Cruzeiro transformam beco em arena para torcer pelo Brasil

Moradores do Cruzeiro transformaram um beco na quadra 4 do Cruzeiro Velho em um espaço decorado com as cores da Seleção Brasileira para acompanhar a Copa do Mundo. A iniciativa retoma uma tradição comunitária que existe na região desde a década de 1970.
Cerca de 30 pessoas participaram da ação ao longo de oito dias. Adultos, idosos e crianças se envolveram na pintura do local, na instalação de bandeirolas e na organização da estrutura que se tornou ponto de encontro para os jogos do Brasil.
O professor de futebol Matheus Nascimento, de 31 anos, é um dos idealizadores do projeto. Ele disse que a ideia foi resgatar uma prática que existia no beco. "Com o passar dos anos, depois que uma vizinha que liderava as ações faleceu, o movimento acabou diminuindo. Quando chegou a Copa, resolvemos retomar a decoração e pedimos ajuda para os moradores da rua. Todo mundo colaborou de alguma forma, seja com dinheiro, material ou mão de obra", afirmou.
O envolvimento da comunidade superou as expectativas. Os moradores organizaram um evento para assistir a uma partida da Seleção, que reuniu mais de 150 pessoas. "A gente colocou telão, brinquedos para as crianças, organizou uma vaquinha para fazer comida, servimos arroz carreteiro, caldo e ainda tivemos uma roda de pagode. Foi um momento muito especial para a comunidade", contou Matheus.
A servidora da Administração Regional do Cruzeiro, Mara Seixas, destacou que a ação faz parte da identidade cultural da região. "A administração apoia porque essa é uma tradição muito antiga. Ela atravessou diferentes gestões e continua existindo porque dá vida aos espaços públicos. Mas o mais importante é que a motivação parte da própria população", afirmou.
Mara lembrou que a prática de decorar ruas durante os mundiais ocorre no Cruzeiro há mais de cinco décadas. "Desde os anos 1970 as pessoas se reúnem para pintar ruas, colocar bandeiras e celebrar a Copa. É uma tradição que atravessa gerações", disse.
O comerciante Juraci Soares de Oliveira, conhecido como Ferruge, mora na região há mais de 20 anos. Ele recordou as mobilizações de Copas passadas. "Os comerciantes se juntavam, compravam tinta, bandeirolas e tudo o que precisava. Depois todo mundo ia pintar junto e era divertido demais", afirmou. Ele disse que as comemorações incluíam assistir aos jogos em uma televisão grande e fazer sorteios no final.
Com a decoração pronta, o beco continua sendo usado como ponto de encontro. Para os próximos jogos, a expectativa é ampliar a programação. "Se o Brasil avançar na competição, queremos trazer mais atrações, montar tendas e fazer uma grande festa para a comunidade", disse Matheus.


