27/04/2026
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175 mil eleitores com deficiência votam sem acessibilidade

175 mil eleitores com deficiência votam sem acessibilidade

Mais de 175 mil eleitores com deficiência de locomoção estão registrados em seções sem acessibilidade no Brasil. O número representa 37% dos 471 mil brasileiros com esse tipo de deficiência, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das eleições de 2024.

A Justiça Eleitoral permite que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida transfiram o título para uma das 185 mil seções acessíveis do país. O prazo para solicitar a mudança neste ano vai até o dia 6 de maio.

Em nota, o TSE disse estar comprometido com o “aprimoramento contínuo das condições de acessibilidade”. O tribunal informou desenvolver “iniciativas contínuas para ampliar a inclusão desse público”, como as ações do Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, criado em 2012.

O levantamento, feito pelo Estadão, cruzou o cadastro de votantes com deficiência com o registro de zonas e seções eleitorais de todo o país. Os dados são de 2024 e não incluem o Distrito Federal, onde não há eleição municipal.

Em Mato Grosso e Alagoas, o índice de eleitores com deficiência de locomoção em seções não acessíveis superou 90%. Roraima apareceu em terceiro lugar, com 89,1%.

O pior índice foi registrado em Mato Grosso: 94,6% das pessoas com deficiência de locomoção votaram em seções sem acessibilidade. Das mais de oito mil seções eleitorais do estado, apenas 405 tinham recursos de acessibilidade. Dos 5.209 mato-grossenses com deficiência ou mobilidade reduzida, somente 279 estavam em locais de votação adequados.

Procurado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) afirmou “não reconhecer os critérios utilizados” pelo levantamento, mas não apresentou dados para embasar a contestação.

Para Roberto Tiné, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), a Justiça Eleitoral fez avanços na inclusão de eleitores com deficiência. Ele citou o crescimento do número de seções acessíveis, que passou de 23 mil em 2012 para 156 mil em 2022.

“Um avanço que tivemos foi o cadastramento da pessoa com deficiência. Depois, o mapeamento dos locais de votação. Agora, precisamos tornar todas as seções acessíveis”, disse Tiné.

O presidente do Conade lembrou que a acessibilidade não é voltada apenas para a população com deficiência. “Há gestantes, obesos, idosos, mães com carrinhos de bebê, pessoas com mobilidade reduzida. O razoável é que tenhamos seções acessíveis para todos”, afirmou. “Seção acessível deveria ser pleonasmo. Todos os inscritos em uma seção têm direito a exercer o voto em condições plenas.”

Todas as urnas eletrônicas têm recursos de acessibilidade para outros tipos de deficiência, como auditiva e visual. Em 2024, o eleitorado com deficiência registrado foi de 1,4 milhão. Esse número pode ser maior, pois o cadastro na Justiça Eleitoral é autodeclaratório.

Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem pedir a transferência do título para uma seção acessível. O procedimento é feito pelo site do TSE, na página de Autoatendimento Eleitoral. É necessário selecionar a opção “Título Eleitoral”, depois “Atualize ou corrija seu título eleitoral” e “Troque seu local de votação dentro do mesmo município”. O eleitor deve preencher um formulário, enviar uma foto segurando um documento de identificação e uma cópia digital do documento. Depois, pode escolher um local de votação dentro do mesmo município, selecionando a opção de seção com acessibilidade. Ao final, um protocolo é gerado para acompanhamento.

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