29/05/2026
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Homem é agredido após reclamar de som alto em igreja

Homem é agredido após reclamar de som alto em igreja

Um homem foi agredido após reclamar do som alto de uma igreja em frente à sua casa, em Balneário Camboriú (SC). O caso ocorreu no dia 18 de maio e é investigado pela Polícia Civil.

A vítima, Tiago Alves, de 43 anos, disse que foi até o templo incomodado com o barulho. Segundo ele, um homem mandou que voltasse para casa e parasse de reclamar. A discussão evoluiu para ameaças e agressões. Alves afirma ter levado ao menos quatro socos.

Uma câmera de segurança registrou o momento em que ele cai no chão, recebe socos no rosto e é socorrido por pessoas que estavam no local. As imagens também mostram o suspeito sendo levado para dentro da igreja. “Só descobri que ele era guarda municipal depois da agressão, na delegacia”, disse Alves, que é pai de uma criança autista de 9 anos.

Alves ficou inconsciente por alguns minutos e precisou levar seis pontos na boca. “Para mim, isso foi tentativa de homicídio, porque fiquei inconsciente. Levei quatro socos na fronte, isso poderia ter causado um problema muito sério”, afirmou. “Essa agressão machuca muito não só fisicamente, mas psicologicamente também.”

A Igreja Assembleia de Deus Missão Avivalista (ADMA) classificou a agressão como um “fato isolado”. Em nota, disse que “pugna-se para que a investigação criminal transcorra de forma técnica, imparcial e responsável, a fim de que sejam apontados os efetivos responsáveis pelos fatos eventualmente praticados”.

A Guarda Municipal de Balneário Camboriú e a Prefeitura de Balneário Camboriú não responderam aos contatos feitos pelo UOL. O espaço permanece aberto para manifestações.

A Polícia Civil informou que “aguarda laudo pericial complementar” e que, em seguida, serão realizadas oitivas.

O impasse entre Alves e a igreja dura mais de quatro anos. Ele disse que já registrou mais de 17 boletins de ocorrência contra o templo e que houve ao menos três tentativas frustradas de acordo. Em março de 2025, o Ministério Público apresentou uma denúncia contra a igreja. “Antes disso eu tentei conversar, já assisti até um culto para mostrar boa vontade. Minha esposa já tentou dialogar e foi acusada de ‘bruxaria’”, afirmou.

A denúncia foi aceita pela 1ª Vara Criminal de Balneário Camboriú. Na decisão, a Justiça citou a quantidade de denúncias e entendeu que havia indícios de autoria e materialidade do crime, com base em boletins de ocorrência, vídeos e um laudo da Polícia Científica que apontava ruídos acima do limite permitido.

O MP também obteve uma medida cautelar que determinava isolamento acústico no templo, sob pena de multa de R$ 50 mil. O Ministério Público informou que, no curso do processo, a instituição promoveu medidas de regularização e adequação acústica. A igreja afirmou que “todas as adequações e exigências determinadas pelo poder público já foram devidamente realizadas”.

Tiago Alves questiona os ajustes e diz que o som voltou a atingir um patamar ilegal nos últimos meses. “Nossa rotina já é muito difícil com um filho autista, que precisa de terapias, que tem uma rigidez cognitiva muito forte. Eu chego a ficar duas, três horas, circulando de carro com o meu filho durante o horário do culto para evitar que tenha um pico de estresse”, disse.

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